Edipo linguistico
Estava caminhando na rua com minha cara de qualquer lugar do norte ou leste menos daqui, com uma sueca, mais sueca impossível e um andaluz que fumava. Um senhor alto pediu fogo em catalão. O andaluz acendeu seu cigarro e ele agradeceu “ Merci” ( obrigado, em catalão). Eu respondi “ De rés” ( de nada). Vocês não podem imaginar a felicidade do senhor alto quando ouviu aquele de rés. É lógico que sabia que não éramos daqui e que gente que não é daqui não fala catalão. Logicamente ele também fala espanhol, mas existe um orgulho lingüístico, -cuja lógica não acabo de entender- quase edipiano, que o obriga a falar sua língua materna.
Um amigo jornalista catalão disse que entende perfeitamente o sorriso do senhor alto. Não há maior satisfação para um catalão do que ouvir um gringo falar sua língua. A culpa é de Franco, mais uma vez. Quando proibiu que se falasse qualquer idioma diferente do espanhol só o que conseguiu foi tornar as línguas malditas ainda mais amadas e idolatradas. E depois da ditadura, claro, voltaram às ruas com toda força.
Transportando esta situação para o Brasil primeiro pensei nos imigrantes italianos e alemães, em Vargas e sua bem sucedida lei de proibição de qualquer idioma diferente do português. Não posso comparar o que ocorreu com um país que já existia e foi incorporado a outro como a Catalunia com imigrantes que foram fazer o favor de colonizar um país como o Brasil. O mais lógico seria comparar, hipoteticamente, com um Lula antipatizante do Rio de Janeiro e que de repente proibisse qualquer pessoa de falar a palavra “meisssmo, ou merrrmo”. Não se ouviria outra coisa nos guetos e depois que Lula deixasse o poder (isso se o próximo presidente não resolvesse prorrogar a idéia, de tão boa) todos receberiam a notícia com um “ é meisssmo?” . E depois de alguns anos, se um carioca ouvisse de um nordestino ou paulista um “ Onde é meisssmo o Arpoador?” certamente responderia com um sorriso infinito, igualzinho ao do senhor alto catalão.
Um amigo jornalista catalão disse que entende perfeitamente o sorriso do senhor alto. Não há maior satisfação para um catalão do que ouvir um gringo falar sua língua. A culpa é de Franco, mais uma vez. Quando proibiu que se falasse qualquer idioma diferente do espanhol só o que conseguiu foi tornar as línguas malditas ainda mais amadas e idolatradas. E depois da ditadura, claro, voltaram às ruas com toda força.
Transportando esta situação para o Brasil primeiro pensei nos imigrantes italianos e alemães, em Vargas e sua bem sucedida lei de proibição de qualquer idioma diferente do português. Não posso comparar o que ocorreu com um país que já existia e foi incorporado a outro como a Catalunia com imigrantes que foram fazer o favor de colonizar um país como o Brasil. O mais lógico seria comparar, hipoteticamente, com um Lula antipatizante do Rio de Janeiro e que de repente proibisse qualquer pessoa de falar a palavra “meisssmo, ou merrrmo”. Não se ouviria outra coisa nos guetos e depois que Lula deixasse o poder (isso se o próximo presidente não resolvesse prorrogar a idéia, de tão boa) todos receberiam a notícia com um “ é meisssmo?” . E depois de alguns anos, se um carioca ouvisse de um nordestino ou paulista um “ Onde é meisssmo o Arpoador?” certamente responderia com um sorriso infinito, igualzinho ao do senhor alto catalão.

1 Comments:
É meisssmo!!! Essa sua crônica está, pela cômica comparação com Lula, bem semelhando ao que faz o Diego Mainardi, na Veja.
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Mauro Cassane, at 7:17 AM
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