Cronicas de Barcelona

Monday, May 02, 2005

Porque me olhas se não me amas? II

A partir dos comentários que recebi, acredito que não soube me expressar muito bem na crônica anterior. Concordo com um que diz, em outras palavras, o que diz Garcia Marques em seu último livro, “Memórias de minhas putas tristes”: “O sexo é uma saída para aquele que não encontra o amor”. Mas a questão não era falar de sexo com ou sem amor. Para mim é óbvio que sexo com amor é infinitamente melhor. O que eu pretendia era revelar outra realidade, muito mais comum aqui do que no Brasil. Escrevi sobre as pessoas que não tem idéia do que é amor e passam anos privando seu corpo de prazeres e descobertas porque alguém falou que sexo e amor são sinônimos, sendo que amor muitas vezes é interpretado como um “ sim, você é uma boa menina, de família, vou casar com você”. Essas pessoas podem ser felizes assim, corretas, infelizes ou loucas. Assim como os numero 1 (que não devem ser interpretados como ninfomaníacos ou frívolos, e sim como pessoas que se permitem um pouco mais) podem ser de tudo também.
Eu acredito no amor e acredito no sexo, e acho que em alguns momentos da vida devemos saber diferencia-los para não enlouquecermos.
Acredito em dualidade. Acredito em números 1, em números 2. Acredito que todos os 1 já pensaram em ser 2, e todos os 2 já pensaram em ser 1. Acredito em escolhas e acredito em imposições. Acredito em erros e acertos. Em arrependimentos. Acredito em dualidades que se flertam, que se amam, se comem e se contradizem.
Reflexões sobre dualidade:
Dualidade- dualis, do latim- reunião de duas características distintas em uma mesma pessoa ou coisa.
“É necessário que teu ser se divida, e seja, no mesmo instante, calor e frio, fluido e sólido, livre e submisso, rosas, cera e fogo; matriz e metal de Corinto.” Paul Valery, 1921
“Me contradigo? Pois bem, me contradigo. (Sou imenso. Possuo afluências)” Walt Whitman, 1891-1892.
“Existe em todos os homens, a todas as horas, duas posições simultâneas, uma em direção a Deus, outra a Satã...” Baudelaire, 1887

3 Comments:

  • Concordo plenamente contigo. E realmente o que exite mesmo é a dualidade em nossa vida. E é bem simples de entender, tomando como exemplo ainda seu polêmico texto anterior. Se não estamos amando ninguém, somos impelidos a buscar o prazer a dois movidos exclusivamente pelos atrativos sexuais, por nossos impulsos de encontrar o gozo no sexo. Isso me parece que se tornou uma necessidade fisiológica. O sexo, que por um bom tempo era uma espécie de paroxismo do amor, tinha lá sua poesia, com a liberação sexual dos anos 70 tornou-se comum a ponto de ser até banal. As ditas pessoas modernas se encontram na noite, bebem, se flertam e transam com uma normalidade, para mim, constrangedora. Não sou careta, nem reacionário, mas ainda sou tipo que valoriza um beijo na boca. E sexo pra mim, a despeito da geração "Sex and the City", ainda é o paroxismo do amor.

    By Blogger Mauro Cassane, at 2:33 PM  

  • Concordo plenamente... Aproveito para dizer que adoro suas crônicas, e volto sempre para conferir as novidades.

    By Anonymous Alex, at 2:20 PM  

  • Hola Sarita,

    Por fin he tenido tiempo de leer tus cronicas barcelonesas y como no, he empezado por esta que me recomendaste en el Belice hara tres semanas...

    Pensaba que solo los Franceses podian teorizar tanto sobre algo tan eminentemente practico como el sexo...esta seria la tipica conversacion en un restaurante "branché" en Saint Germain des Près :-)

    Como te prometi comentare tu opinion de que la mayoria de los Catalanes son de la categoria 2.

    Fundamentalmente estoy de acuerdo en que existe gente que no sabe separar el amor del sexo y gente que si sabe. Eso no significa que unos u otros sepan gozar mas o menos del sexo y/o amor.

    Sin embargo tu comentario fue que los mayoria de los Catalanes eran de categoria dos y ello debido probablemente a Franco...Debo decir que discrepo de eso...

    Es normal que llegues a esa conclusion porque llevas relativamente poco tiempo en Barcelona y debo decir que es admirable lo mucho que has aprendido ya de la mentalidad Barcelonesa...

    Sin embargo, te falta todavia ese conocimiento de "las reglas no escritas" de una ciudad que solo se alcanza tras unos anyos...

    Es cierto que Franco hizo mucho danyo en el sentido que se impuso una censura tal, que limito el sexo al ambito del matrimonio (que no del amor). Eso tuvo como consecuencia que toda una generacion creciera con un gran numero de tabues, y dichos tabues se tradujeron a menudo en frustraciones, ignorancia y represiones...

    Sin embargo eso no quiere decir que la gente no sepa separar el sexo del amor...mas bien al contrario...

    En Barcelona siempre ha existido una cultura "underground" del enganyo. En aquella epoca oscura, era normal que los burgueses tuvieran sus "queridas" y rebosan en Barcelona los hoteles "de citas" y los bares golfos. Habia uno en particular, ya desaparecido, que tenia dos accesos por dos calles diferentes. Por un lado era un salon de the donde se reunian las senyoras y por el otro, separado tan solo por una puerta que nadie cruzaba jamas, un bar de citas donde se reunian los maridos con sus amantes...todo el mundo sabia eso, y se aceptaba...porque esa es la mentalidad barcelonesa...y yo diria que europea porque en Paris es tres cuartos de lo mismo...todo se hace con discreccion y no gusta que esto se sepa...

    Esto ha ido cambiando estos ultimos anyos porque hay mas libertad y la mujer se ha ido liberando por fin. Pero el mecanismo es el mismo...la gente "bien" de Barcelona, los pijos y pijas, estan en pareja durante anos pero puedes estar segura que por ambas partes existen infidelidades, porque una cosa es el carino y el respeto por la pareja y otra el sexo. La diferencia es que probablemente la exteriorizacion sea muy diferente a como se hace en Brasil.

    Resumiendo, diria que los hombres siempre han sabido hacer la diferencia entre los dos conceptos. Las mujeres en cambio siempre les ha costado mas por el tema del cuento del principe azul...aunque eso tambien esta cambiando claramente...

    Bueno, no creo que esto te haga camiar de opinion sobre la gente de Barcelona. Aunque claro, me imagino que comparado con Brasil, todo debe resultar frio.

    Ya me pasare un dia de estos para que me des tu opinion, la proxima vez que venga desde Londres para pasar un fin de semana.

    Un beso,


    Alain

    By Anonymous Alain Garcinuno, at 5:37 PM  

Post a Comment

<< Home