<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-11010870</id><updated>2011-08-31T11:04:02.777-07:00</updated><title type='text'>Cronicas de Barcelona</title><subtitle type='html'>Cronicas, escritos e desabafos de uma brasileira perdida em Barcelona</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Sarita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689357093642268873</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>26</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11010870.post-112240888923821949</id><published>2005-07-26T13:13:00.001-07:00</published><updated>2005-09-10T10:49:42.140-07:00</updated><title type='text'>Quase despedida</title><content type='html'>Ficarei um bom tempo sem escrever crônicas de Barcelona. O principal motivo é porque não estarei em Barcelona. Vou viajar por ai. Talvez escreva alguma coisa sobre outro lugar, mas não prometo. Estou pensando seriamente em começar uma história, um road movie literário, sobre uma menina que, como eu, sai por aí de furgoneta ( aqueles quase-kombi, quase-motorhome). Ela quer dar uma de aventureira e só então percebe o quão importante era sua relação com seu banheiro e seus banhos. Ela se diverte, claro, conhecendo lugares, mas na verdade sua maior preocupação (e também diversão) é saber onde e quando será seu próximo banho. Escrevi um pequeno trecho só pra ter uma idéia da linguagem que poderia usar. Aceito sugestões e avisarei a todos (possivelmente farei outro blog) quando a idéia estiver mais formatada.  Beijos e hasta pronto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... (Tirei a parte do texto que estava aqui porque ja ta toda transformada)...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11010870-112240888923821949?l=cronicasbcn.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/feeds/112240888923821949/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11010870&amp;postID=112240888923821949' title='9 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/112240888923821949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/112240888923821949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/2005/07/quase-despedida_26.html' title='Quase despedida'/><author><name>Sarita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689357093642268873</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11010870.post-112171281595491851</id><published>2005-07-18T11:52:00.000-07:00</published><updated>2005-07-18T11:53:35.966-07:00</updated><title type='text'>Espanha de todos os santos</title><content type='html'>Minha intenção era escrever este post no dia 13/07, dia de Santa Sara. Não tive tempo, felizmente ou infelizmente. O quê? Você nunca ouviu falar de Santa Sara??? Nem de Santo Rodrigo?? Nem de Santo Eduardo? Você não sabia que quase todos os nomes possuem seu respectivo Santo e que em cada dia do ano comemora-se um ou mais Santos? Pois aqui na Espanha católica tudo isso é levado muito a sério. Se eu fosse espanhola, por exemplo, no último dia 13 eu teria feito uma festa em minha casa ou reunido amigos em um bar para comemorar o dia do meu Santo. É quase tão importante quanto um aniversário. É lógico que na história da humanidade não tivemos tantas pessoas- e com tanta variedade de nomes- que mereceram um altar ou um culto. A maioria deles não passam de criações realizadas nos primeiros tempos do cristianismo ou na idade media, quando decretou-se um santo para cada nome que carecia dele e tratou-se de inventar sua história. &lt;br /&gt; Os dois santos mais conhecidos aqui na Catalunya são San Jordí ( São Jorge- 23/4) e San Juan (São João 24/6). Em São Jordi as cidades se enchem de flores e livros. A  tradição é que os homens presenteiem mulheres com flores e mulheres presenteiem homens com livros. Mas hoje em dia todos presenteiam flores e livros a pessoas queridas, independente do sexo. O San Juan é quase parecido ao nosso São João, com a diferença de que aqui é verão e no lugar de fogueira temos fogos de artifício. Ah, e em ambos os dias é decretado feriado nacional.&lt;br /&gt;Abaixo listo o dia dos Santos de alguns amigos:&lt;br /&gt;13/03- Rodrigo&lt;br /&gt;15/03- Luisa&lt;br /&gt;19/03- José&lt;br /&gt;22/05- Rita&lt;br /&gt;26/05- Felipe&lt;br /&gt;11/07- Olga&lt;br /&gt;13/07- Sara&lt;br /&gt;26/07- Ana&lt;br /&gt;11/08- Clara&lt;br /&gt;14/08- Marcelo&lt;br /&gt;18/08- Elena&lt;br /&gt;12/09- Maria&lt;br /&gt;19/09- Rafael&lt;br /&gt;06/10- Bruno&lt;br /&gt;13/10- Eduardo&lt;br /&gt;7/11- Ernesto&lt;br /&gt;11/12- Daniel&lt;br /&gt;4/12- Barbara&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11010870-112171281595491851?l=cronicasbcn.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/feeds/112171281595491851/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11010870&amp;postID=112171281595491851' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/112171281595491851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/112171281595491851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/2005/07/espanha-de-todos-os-santos.html' title='Espanha de todos os santos'/><author><name>Sarita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689357093642268873</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11010870.post-112057109071395502</id><published>2005-07-05T06:37:00.000-07:00</published><updated>2005-07-05T06:44:50.726-07:00</updated><title type='text'>Chico coadjuvante</title><content type='html'>Alguém sabe “ cantar” alguma música do Carlinhos Brown? Alguém sabe alguma coisa dele que não esteja relacionada ao casamento com a filha de Chico Buarque ou com a Timbalada? Pois aqui na Espanha ele é um fenômeno. Está enchendo o #$# de euros. Arrastou recentemente, pelo segundo ano consecutivo, milhares de pessoas pelas ruas de Barcelona e Madri, atrás de seu trio elétrico e de seu hit “ tetetetetetete”.  É o ícone da cultura brasileira na Espanha.&lt;br /&gt; Semana passada o ícone da cultura brasileira no Brasil esteve por aqui. Por coincidência, é sogro de Carlinhos Brown. Mas ninguém sabe disso e poucos ficaram sabendo porque ele veio lançar seu ótimo livro, Budapeste, e não qualquer musica em parceria com o genro-fenômeno. Aqui quem precisa se preocupar com papparazzis é Carlinhos Brown ( Carlitos Marrom), e não Chico, que deu entrevistas con mucho gusto  e ganhou a contra-capa de uma edição de La Vanguardia, um dos jornais mais lidos em Barcelona. A intenção, claro, era divulgar o livro, mas ele acabou falando de  família, da fama de sexy e até revelou que roubava carros na juventude. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CHICO BUARQUE, ESCRITOR Y CANTAUTOR BRASILEÑO&lt;br /&gt;"Juicio y alegría"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tengo 60 años. Nací y vivo en Río de Janeiro. Estoy separado y tengo tres hijas, dos nietas y media, y un nieto: Chico. Soy un demócrata que todavía cree en la posibilidad de un socialismo democrático. Ya llevamos casi dos décadas de idiotez globalizada. Soy ateo. Publico Budapest con Salamandra en castellano y La Magrana en catal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-¿Una vida rodeado de mujeres. &lt;br /&gt; -Sí, muchas hermanas, hijas, nietas. &lt;br /&gt;-¿Qué es lo que ha aprendido de ellas? &lt;br /&gt; -Sigo con la curiosidad intacta, con el mismo desconocimiento y esa extraña admiración. Siempre me sorprenden y sus opiniones me interesan más que las de los hombres. &lt;br /&gt;-Encabeza usted la lista de los hombres más sexies de Brasil.&lt;br /&gt; -Eso es ridículo, y esa lista es ridícula. Yo tengo 60 años, ¡¿no me ve?!..&lt;br /&gt;-¿Siempre ha huido de la fama?&lt;br /&gt; -No, he participado en festivales y he buscado el reconocimiento a mi trabajo. Pero luego está la fama boba, hueca, que es la sombra del reconocimiento y que se ocupa de si el artista está gordo o de con quién se mete en la cama. Esto hace 40 años no era así. &lt;br /&gt;-¿Cómo era? &lt;br /&gt; -Pues verá, estábamos todos borrachos en Ipanema diciendo cosas absurdas, pero nada de eso salía en la prensa. Hoy, uno va a ver un partido de fútbol y viene el periodista a preguntarte cómo va el partido. A mí todo eso no me gusta. &lt;br /&gt;-Pues es lo que vende. &lt;br /&gt; -Hay gente que persigue esa fama que no se corresponde con nada. Es insólito. &lt;br /&gt;-¿Por qué habremos llegado a este punto? &lt;br /&gt; -Yo nunca he visto un movimiento general de idiotez como el de ahora. Pero en mi país, de quince años para acá, viene creciendo peligrosamente. La idiotez nos rodea, yo mismo tengo miedo de volverme idiota... &lt;br /&gt;-Piénselo bien... &lt;br /&gt; -Quizá tenga razón..., todo sería más fácil, ya nada me sorprendería y podría dar entrevistas sin escribir libros. &lt;br /&gt;-¿...? &lt;br /&gt; -Sí, sí, yo anuncio que voy a escribir un nuevo libro y me paso dos años concediendo entrevistas. Después hablo del libro que no salió... Y así pasa la vida. Hoy es posible vivir de feria literaria en feria literaria. Hay festivales cada semana en alguna parte del mundo. Y ahora que finalmente soy escritor... &lt;br /&gt;-Le ha costado tres libros. &lt;br /&gt; -Sí, pero ahora ya me consideran como tal, así que puedo vivir haciendo el turista literario; seguramente conseguiría ser mucho más conocido como escritor de lo que lo soy hoy sin necesidad de escribir más libros. &lt;br /&gt;-Hablemos de épocas más intensas. &lt;br /&gt; -Yo no soy nostálgico, no pienso que antes éramos más guapos, más delgados y más felices, aunque todo eso sea verdad. Mire, no me gusta recordar ni los años 60 ni los 70, de los 80 no me acuerdo y, en los 90, empezó la idiotez. Nunca estuve muy de acuerdo con lo que me rodeaba. A mí me gusta estar vivo, hacer las cosas a mi ritmo, sin presiones. &lt;br /&gt;-Pues debió de vivir fatal la dictadura. &lt;br /&gt; -A finales del 68 empezó la auténtica censura y la persecución a los opositores del régimen, políticos, simples artistas o fumadores de marihuana. Eso había que combatirlo y los artistas más populares lo hicimos con la música, así que perdimos calidad artística. &lt;br /&gt;-Usted se pasaba la vida en la cárcel. &lt;br /&gt; -Como todos, pero salía siempre. Sólo dormí en la cárcel cuando era menor de edad y robaba coches. &lt;br /&gt;-¿Un hijo de un ilustre historiador y sociólogo robando coches? &lt;br /&gt; -Sí, robábamos coches para circular por la ciudad y cuando se acababa la gasolina los dejábamos; al día siguiente hacíamos lo mismo, así hasta que me pillaron. Pero durante la dictadura me llamaban continuamente o me venían a buscar demasiado temprano y se me llevaban para preguntarme por qué había cantado aquello o aquello otro. &lt;br /&gt;-¿Llegó a pasar miedo? &lt;br /&gt; -Quien tiene culo tiene miedo, decimos en Brasil. Recibía amenazas, cartas. Hoy la gente en Brasil tiene miedo a otras cosas y va rodeada de guardaespaldas, sobre todo los famosos, porque llevar guardaespaldas te hace más famoso todavía. &lt;br /&gt;-Es usted un icono de la música: podría llevar dos o tres. &lt;br /&gt; -No me gustaría ser un icono, suena fatal. Me han llegado a catalogar de "monstruo sagrado", ¡qué miedo! &lt;br /&gt;-¿Para quién escribe las letras de sus canciones? &lt;br /&gt; -Son piropos para mí mismo: es formidable, pruébelo, dígase cosas bonitas.Me acuerdo de Vinicius de Moraes, que cuando viajaba solo y tenía sueño se cantaba canciones de cuna y se pasaba la mano por la cara hasta que se dormía. Yo lo intenté y no resultó. &lt;br /&gt;-¿Es usted un insomne? &lt;br /&gt; -Sí, por eso siempre trabajo de noche, lo cual es fatal para el insomnio. Cuando logro dormirme, escribo música en sueños.Aveces he compuesto cosas maravillosas, pero luego me he dado cuenta de que eran de otros. &lt;br /&gt;-¿Por qué lleva seis años sin actuar? &lt;br /&gt; -Saqué el disco, hice un año de conciertos, después sacaron el disco del concierto del disco y después el disco del disco del concierto del disco... Luego colaboré en teatro, escribí el libro y ahora estoy aquí con usted. &lt;br /&gt;-¿Cómo es su madre?&lt;br /&gt; -Tiene 95 años y repite constantemente: "¡Juicio y alegría!", y yo le digo: "Mamá, o juicio o alegría". Mi padre era un soñador y ella equilibró su lado bohemio, imponía la disciplina pero con mucho sentido del humor, con eso: con juicio y alegría. ¡Siete hijos! &lt;br /&gt;-¿Qué ha significado para usted traer hijos al mundo? &lt;br /&gt; -Es formidable. Cuando nació la primera yo tenía 24 años, era casi una irresponsabilidad. Pero las tres son mejores que su padre y creo que si cada uno de nosotros pudiera decir eso, si lo dijera Bush por ejemplo, en treinta años tendríamos un mundo mejor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11010870-112057109071395502?l=cronicasbcn.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/feeds/112057109071395502/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11010870&amp;postID=112057109071395502' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/112057109071395502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/112057109071395502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/2005/07/chico-coadjuvante.html' title='Chico coadjuvante'/><author><name>Sarita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689357093642268873</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11010870.post-111988550428078149</id><published>2005-06-27T08:17:00.000-07:00</published><updated>2005-06-27T11:34:01.930-07:00</updated><title type='text'>Ensaio sobre a velhice a dois</title><content type='html'>Ontem falei com a minha avó ao telefone e ela disse que meu avô está vegetando e que a coisa não está fácil. &lt;br /&gt;Eu sempre adorei observar casais de velhinhos, talvez por culpa de minha descrença no casamento ad infinitum ou por minha crença em cumplicidades eternas.  E por coincidência, ontem trabalhei em uma feira de cultura Galega onde circulou muita  terceira idade. A maioria casais. Uniões formadas na época em que toda noiva era virgem e em que divórcio era coisa do demônio. Décadas depois, eles continuam juntos, passeando no domingo de sol como adolescentes, de mãos dadas, em grupos de amigos ou rodeados de filhos e netos. E no desfile da aventura do até que a morte nos separe eu vi dois casais de velhinhos passeando juntos: um senhor saudável empurrava a cadeira de rodas de sua senhora com cara de longo currículo médico-hospitalar, e uma senhora saudável sustentava o braço esquerdo de seu esposo que apoiava o direito sobre uma bengala. Também parecia ter um currículo médico-hospitalar respeitável.  Essa visão, somada à experiência de minha avó, me fez formular a seguinte teoria:  em todo o casamento existe sempre um grande e um pequeno. Os papéis podem se inverter de acordo com a trama, mas inevitavelmente chegam  dicotômicos até o fim. Para muitos que acreditaram ter vivido sempre em equilíbrio, com naturalidade, essa dicotomia se apresenta como um final surpreendente. Certo dia um problema de saúde deixa um pequeno, como uma criança que precisa de cuidados, e outorga poder ao outro. Em demais casos, depois de décadas de jogos de poder um problema de saúde vem revelar um vencedor. Em outros casos, só silêncio. Uma espécie de matrimônio comunista -sabemos que mesmo no comunismo a igualdade é pura ilusão-, um pequeno que não sabe que é pequeno e um grande que não sabe que é grande. Enfim, não importa o modelo, o certo é que todo o casamento infinito termina por revelar o grande e o pequeno da história.   &lt;br /&gt;“Ele definhava. Enquanto ela reerguia a coluna curvada pelo peso do mundo ele perdia a massa do corpo que exibia triunfante a seus muitos troféus, às mulheres as quais referia-se orgulhosamente como ‘ minhas amantes’; e o peito estufado de outrora perdia o ar, a voz que tanto ordenou aos outros que se calassem, que o obedecessem, estava rouca. Nem ao menos reconhecia esses tantos outros. Nem as tantas outras, que há tempos o abandonaram. Agora só reconhecia ela. A lúcida senhora que sempre esteve ao seu lado embora muitas vezes não tenha sido notada, tampouco poupada. Agora só existia ela. Que de tão fraca conseguiu ficar forte. Que de tão humilhada entendeu o que é auto-estima. Agora ele precisa dela, não sobreviveria a sua falta.”  ( trecho do conto “ Mais um dia” , de 2003, também escrito depois de uma conversa telefônica com minha avó)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11010870-111988550428078149?l=cronicasbcn.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/feeds/111988550428078149/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11010870&amp;postID=111988550428078149' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/111988550428078149'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/111988550428078149'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/2005/06/ensaio-sobre-velhice-dois.html' title='Ensaio sobre a velhice a dois'/><author><name>Sarita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689357093642268873</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11010870.post-111920997036836550</id><published>2005-06-19T12:39:00.000-07:00</published><updated>2005-06-19T12:39:30.373-07:00</updated><title type='text'>Ninguém passou a mão na minha bunda</title><content type='html'>Ontem estive onze horas quase seguidas no Sónar (um dos mais importantes festivais de música avançada e arte multimídia do mundo). Havia gente da Europa inteira, da Inglaterra, Irlanda, Alemanha, Croácia... gente que veio apenas e exclusivamente passar o fim de semana sob batidas eletrônicas. Digo apenas e exclusivamente com um certo exagero. É claro que um ou outro pode ter usado o Sónar como desculpa para conhecer Barcelona, para conhecer gente, mas a verdade é que poucos agiam à moda brasileira de desfrutar de um festival deste porte. Aqui as pessoas estão mesmo preocupadas e atentas às atrações, e dançam sozinhos ou em rodas de amigos fechadas para desconhecidos. Ninguém fica olhando o tempo todo pros lados, dando voltas e voltas em busca de vítimas, flertando por aí. Ninguém fura a fila do bar ou do banheiro. Ninguém briga no banheiro feminino. Ninguém briga na pista. Os seguranças passam a noite inteira parados no mesmo lugar. Ninguém passou a mão na minha bunda. Apenas um espanhol bagaceira quis saber meu nome. Tudo muito diferente de qualquer festival de música no Brasil. E pensando bem acho que prefiro um lugar cheio de pessoas fechadas e bem educadas do que abertas e mal-educadas. Generalizando. O ideal seria chegar a um meio-termo. Será que é possível?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11010870-111920997036836550?l=cronicasbcn.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/feeds/111920997036836550/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11010870&amp;postID=111920997036836550' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/111920997036836550'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/111920997036836550'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/2005/06/ningum-passou-mo-na-minha-bunda.html' title='Ninguém passou a mão na minha bunda'/><author><name>Sarita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689357093642268873</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11010870.post-111859234902015371</id><published>2005-06-12T09:05:00.000-07:00</published><updated>2005-06-12T12:00:27.773-07:00</updated><title type='text'>Eu gosto de ser mulher</title><content type='html'>Vou contar a história de uma mulher que têm séculos de vida mas prefere dizer que tem menos, como todas as mulheres vaidosas. Como todas as mulheres. Para não desagrada-la, farei de conta que seus últimos 70 são seus únicos anos. Peço que se esforcem em acreditar que enquanto cidades explodiam, pessoas matavam e morriam, ela nascia. Em plena guerra ela nascia, com sua carinha linda e dissimulada, sob a fumaça do charuto de um pai rígido e extremamente católico. Era a típica princesinha adorada pelo povo, talvez por sua imagem de pureza, de quem não entendia bem as coisas. O povo dividido se unia na tarefa de adora-la. E ela gostava de todos. Dos amigos e dos inimigos de seu pai. Permitia o passado e as lembranças cantadas numa língua que foi proibida porque tinha identidade demais. Mesclava-se pelas ruas malditas junto àqueles que desejavam que ela voltasse a ser quem ela era antes de seu real nascimento. E encarnava com desenvoltura o papel de boa moça ao lado do pai. Era a menina dos olhos dos militares. A super proteção militar e católica durou 40 anos. Acabou com a morte do seu pai. Vestida de negro e sapatos brancos, ela chorava ao lado do caixão e colocava a mão sobre a boca para sorrir sem que ninguém visse. Ficou meses perdida entre sorrisos e lágrimas, entre amigos e inimigos do falecido. Adorando tudo. Os inimigos ofereceram uma coisa nova que lhe parecia atraente. Liberdade. Foi com eles. O idioma proibido porque tinha identidade demais saiu das ruas malditas e acusava de maldito seu falecido pai, ditador cruel e sanguinário. Eram vozes de ódio e vingança que se mesclavam com vozes de adoração e saudades. Tudo ao mesmo tempo, em ruas permitidas onde ela circulava se permitindo tudo. Descobriu o que era desejo. Sexo e consumo. Recebia marinheiros e mercadorias. Foi musa de muitos artistas e isso preenche seu ego até hoje. Ficou impecável para receber atletas olímpicos e só então descobriu que passara toda sua vida  de costas para o mar. Não disse boas vindas aos marroquinos mas aceitou conviver com eles, embora de forma um pouco blasè. Permitiu que viessem todos, sul-americanos, europeus, africanos. Mas sempre muito seletiva. Para muitos não dava nada, para poucos, quase tudo. E hoje é essa linda mulher, vaidosa e dissimulada, imersa no tempo em que era a princesinha do povo. Barcelona deseja o amor de todos mas ainda é muito imatura para amar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11010870-111859234902015371?l=cronicasbcn.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/feeds/111859234902015371/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11010870&amp;postID=111859234902015371' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/111859234902015371'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/111859234902015371'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/2005/06/eu-gosto-de-ser-mulher.html' title='Eu gosto de ser mulher'/><author><name>Sarita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689357093642268873</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11010870.post-111754093028378934</id><published>2005-05-31T05:01:00.000-07:00</published><updated>2005-05-31T05:07:30.156-07:00</updated><title type='text'>Mais louco é quem me diz...</title><content type='html'>Em minha tenra infância e adorável adolescência, quando morava em Florianópolis com meu pai, tinha dois vizinhos com deficiência mental, uma no andar de baixo e um no prédio da frente. Nenhum dos dois possuía síndrome de down, mas falavam com voz grave palavras incompreensíveis e eram praticamente isolados do convívio social. A menina só saía para passear com sua avó e o menino passava o dia inteiro na varanda de sua casa, muitas vezes balbuciando vogais aos transeuntes. Depois morei em São Paulo, depois no Rio, e não lembro de ter cruzado pela rua com um deficiente mental caminhando sozinho ou com amigos. &lt;br /&gt; Em menos de um ano que moro em Barcelona já vi esta cena algumas vezes. No último mês, duas vezes. Um garoto com aparente síndrome de Down caminhava pelo centro sozinho, segurando uma pasta e um andar levemente desajeitado e apressado. Não olhava para os lados, ouvia walk man, concentrado na musica. Passou por mim e fiquei sem saber mais nada dele. Dias depois, caminhava em direção a plataforma do metrô e ouvi aquela voz igual a dos meus vizinhos de Florianópolis. Olhei para traz e vi um grupo de quatro amigos, dois homens e duas mulheres. Esperamos o mesmo trem, que demorou mais que o normal por problemas técnicos. Eles sentaram para esperar, uma mulher no colo de cada homem. Eram muito carinhosos, principalmente os homens. Uma das meninas tinha os cabelos bem pretos e ressecados e a pele bem branca, usava um vestido jeans e era absolutamente corcunda. Tinha os olhos perdidos e docemente reprimidos como a filha de Vera Drake. Aliás, se não fosse pelas condições geográficas e sociais, podia jurar que a atriz do filme  se inspirara naquela menina. Tentei prestar atenção no que diziam, mas por mais que me esforçasse era impossível. Falavam um idioma só deles. Ouvi coisas como Bush, praia... palavras perdidas. Ouvi risos, beijos, estalos de mãos carinhosas apalpando pernas brancas e frágeis.&lt;br /&gt;Fiquei feliz e triste ao mesmo tempo. Feliz porque os vi felizes, e triste porque imaginei aquele grupo de quatro se isolando um a um no cenário brasileiro. Vi a filha da Vera Drake caminhando ainda mais corcunda de mãos dadas com sua avó numa pequena cidade, recebendo olhares preconceituosos. Vi seu namorado enlouquecido e só na varanda de um prédio numa rua movimentada de cidade grande. Vi a outra menina rodeada de olhares piedosos num convento de freiras. E vi seu namorado algemado numa casa de madeira, num quarto de dois por dois metros, recebendo comida pelo único buraco onde entra luz, como se fosse um animal perigoso, uma verdadeira ameaça à sociedade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11010870-111754093028378934?l=cronicasbcn.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/feeds/111754093028378934/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11010870&amp;postID=111754093028378934' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/111754093028378934'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/111754093028378934'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/2005/05/mais-louco-quem-me-diz.html' title='Mais louco é quem me diz...'/><author><name>Sarita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689357093642268873</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11010870.post-111687668173242912</id><published>2005-05-23T12:30:00.000-07:00</published><updated>2005-05-23T12:31:21.733-07:00</updated><title type='text'>O carnaval fofo de Barceloneta</title><content type='html'>Barceloneta, próximo ao Porto Velho de Barcelona, é um bairro de pescadores e marinheiros, de ruazinhas super estreitas e prédios de quatro andares, daqueles típicos na Espanha. Um labirinto pequeno e fácil de se perder, já que todas as ruas e prédios são iguais. &lt;br /&gt;Segunda-feira aconteceu o Carnaval do bairro. Fui conferir. Difícil um brasileiro entender aquilo como carnaval. No começo senti um pouco de pena dos blocos que se esforçavam em fazer bonito na frente da comissão julgadora composta de dois membros sentados em frente a uma mesa jogada na calçada estreita. Meia hora depois eu já estava adaptada. Comecei a achar tudo fofo: o improviso das fantasias, a timidez dos passistas que não haviam bebido o suficiente, os músicos e suas marchinhas irreconhecíveis e o público escasso que os assistia, alguns assustados, outros bêbados demais. E embora o bairro fosse um labirinto onde os blocos poderiam desfilar livremente, enlouquecer, perder a cabeça, banhar-se de  chuva, suor e cerveja, os desfiles eram quadriculadamente organizados. Só passavam – em forma de bloco- em frente aos bares que levavam a bandeira da festa. Encontrei o bar mais animado. Ao lado da porta, um senhor de quase 60 empurrava a corda que sustentava a bandeira em movimentos de vai-e-vem, para cima e para baixo. Tinha cara de pescador e parecia que ao invés de samba ouvia o barulho do mar, e no lugar da bandeira empunhava a vela de um barco querido. Fiquei quase a noite inteira neste bar porque havia personagens reais mais interessantes do que os fantasiados dos blocos. Um carnaval de bairro de um pais europeu, que não tem a cultura da vida nas ruas como o Brasil, concentra-se inevitavelmente dentro dos bares. Este bar era partidário do bloco “Ven y Ven” e todos que ali trabalhavam usavam uma camiseta verde e amarela com Brasil na frente e “ Amigos do Brasil” atrás, em homenagem a um músico brasileiro que comemorava 20 anos no bloco. Entre os transeuntes também vi alguns com camiseta do Brasil, inclusive uma menina de quatro anos, Carla, uma fofa, uniformizada dos pés a cabeça ( chuquinhas verde e amarela) de seleção brasileira. E de repente, não mais que de repente, uma loira de farmácia, top de renda preto e saia preta rodada e curta sobe no balcão do bar e começa a sambar de um jeito que só brasileira sabe. Os homens, boquiabertos, abarrotavam o bar que já estava lotado. Depois de um tempo, quando tudo estava mais calmo, fui conversar com ela. Era capixaba e estava há três meses em Barcelona, trabalhando como stripper. Convidou eu e meu namorado para visita-la no trabalho. Anotei o telefone “por se acaso”. Começou a chover, já era quase meia-noite, o bar estava esvaziando e não havia mais sinal de blocos pela rua.  Avistamos o garçom de um bar bagaceira, uma figura quase vesga, vestindo um terno preto sobre o traje esporte e um grande crucifixo prata para deixar bem claro que apesar de só possuir os dentes caninos ele não era um vampiro. Fomos falar com ele. Logo chegou um careca com um violão e começaram a cantar músicas sevilhanas para duas hippies que levantavam os braços orgulhosas de seus pêlos pretos.  Formamos uma roda, dançamos batendo palmas no estilo sevilhana, e ao final, no estilo catarse, reverenciando a voz rouca e o talento do garçom personagem. E assim terminou o carnaval de Barceloneta. De um jeitinho tipicamente espanhol.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11010870-111687668173242912?l=cronicasbcn.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/feeds/111687668173242912/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11010870&amp;postID=111687668173242912' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/111687668173242912'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/111687668173242912'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/2005/05/o-carnaval-fofo-de-barceloneta_23.html' title='O carnaval fofo de Barceloneta'/><author><name>Sarita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689357093642268873</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11010870.post-111625513379604503</id><published>2005-05-16T07:51:00.000-07:00</published><updated>2005-05-16T10:42:09.756-07:00</updated><title type='text'>Quem é quem nas areias catalanas</title><content type='html'>É muito fácil identificar quem é quem nas praias brasileiras. Basta ter olhos. Na Espanha você precisa ter ouvidos. Fora a obviedade dos guetos que freqüentam sempre determinadas faixas de areia no Rio de Janeiro, por exemplo, podemos facilmente saber a que classe social e até mesmo de que bairro ou favela vem determinado sujeito ou família apenas pelo jeito de se vestir, pela presença ou não de isopores com cerveja, pela marca da cerveja, pelo tom de voz e pelas gírias proferidas. Na Espanha estes signos não são tão claros até porque muitos deles não existem. Aqui a maioria é classe media. A diferença de classes está no nível cultural e a melhor forma de ser identificada é através da linguagem. &lt;br /&gt;Ontem fui a Castelldefels, um pueblo a vinte minutos de Barcelona, abençoado com uma larga faixa de areia e um limpo mar azul. Mais ou menos nos moldes do Recreio dos Bandeirantes, no Rio, sem os edifícios de 20 ou 30 andares. O maior ali deve ter no máximo cinco. A praia está quase sempre deserta, mas ontem, um belo domingo de primavera quase verão, havia muita gente. O muita gente dali significa que o vizinho mais próximo está a dez ou quinze passos de você. Haviam muitos casais, gente jovem, topless e famílias. Na minha frente, duas mulheres de seus 30 anos com uma menina de uns sete. No lado esquerdo um casal de quarenta e poucos com uma menina de uns nove. Em silêncio, eram todos iguais. Os adultos relaxando sob o sol e as crianças brincando solitárias com a areia. A menina de sete passeava tranqüila com um baldinho recolhendo conchinhas. A de nove construía um castelo próxima a mãe, quase dormindo estirada, e ao pai, sentado numa cadeira lendo jornal e fumando. Tudo classe média. Mas logo identifiquei que a menina que recolhia conchinhas pertencia a uma família com um nível cultural superior àquela que construía castelos.  Uma simples frase me trouxe essa certeza. “ Máma, me voy a tirar un pedo” ( mama, vou soltar um peido), anunciou a de nove enquanto brincava com seu maiô da Nike. Sua mãe não mexeu um músculo e a menina continuou a executar sua obra.  Seu pai também fez de conta que não ouviu. Eu e toda a redondeza ouviu e riu um riso de choque. Um minuto mais tarde, a gordinha de maiô da Nike concluiu " Máma. Ya me he tirado un pedo" ( mama, peidei.) Todos prolongaram seus sorrisos de choque. A menina de sete estava longe catando conchinas. Melhor que não tenha ouvido, pensou a mãe, que tem a renda mensal igual ou até inferior à outra, mas por alguma razão cultural educou sua filha a fazer certas coisas sem anunciar aos quatro ventos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11010870-111625513379604503?l=cronicasbcn.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/feeds/111625513379604503/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11010870&amp;postID=111625513379604503' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/111625513379604503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/111625513379604503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/2005/05/quem-quem-nas-areias-catalanas.html' title='Quem é quem nas areias catalanas'/><author><name>Sarita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689357093642268873</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11010870.post-111583903779674542</id><published>2005-05-11T12:16:00.000-07:00</published><updated>2005-05-12T00:54:25.756-07:00</updated><title type='text'>Quarto mundo</title><content type='html'>Essa vai para os paulistas que adoram reclamar do atendimento ao público no Rio de Janeiro. Convido a todos, (cada um por sua conta, claro) a passar alguns dias em Barcelona, uma cidade onde sorriso e boa vontade é artigo de luxo, e eficiência e rapidez é uma coisa que... dá preguiça só de pensar. Basta um dia, um banco, uma farmácia, um cinema e uma loja para ver surgir aquele sentimento de “Ah, que saudade do Bar Lagoa!” Até os serviços que não são cara a cara chegam a irritar, dá vontade de quebrar aquela cara desconhecida que tem aquela boca que solta aquela voz irritante que não te ajuda em nada e você sempre imagina que a pessoa é feia e mal comida. Quando contratei os serviços de internet para minha casa demorou um mês para chegar pelo correio um kit de instalação ADSL e um numero de telefone para dúvidas. Eram muitas. Ligava todos os dias e cada dia alguém me respondia uma coisa diferente, alguns não tinham nem idéia do que era Macintosh. Dá pra contar nos dedos o numero de técnicos que sabem que Apple não é só uma fruta. E a possibilidade de que um desses fosse até minha casa simplesmente não existia. Depois de 10 dias de stress, consegui resolver, por telefone mesmo. Outra coisa típica daqui é dizer que a pessoa com quem você quer falar está almoçando as 5 da tarde. Fazem você telefonar no dia seguinte para então completar que o fulando está de férias. As pessoas daqui talvez já estejam acostumadas, mas Barcelona está ficando cada vez mais cosmopolita e já começa a receber e divulgar críticas contra si própria. Duas delas, em espaços publicitários em plena estação de metro: “ Germanwings. Vuelos a Alemania desde 19 euros. No bromeamos, somos alemanes”. Outro: “ No permita que el idioma influencie en el corte de su pelo. Peluqueria inglesa...”  (para entender melhor recomendo a leitura de uma das primeiras crônicas, que fala do incrível gosto dos cabelos catalanes). &lt;br /&gt;Para terminar deixo a frase memorável que estava num cartaz no banheiro de um bar super bem decorado, bem freqüentado, onde uma gerente, ao me ver entrar com meu namorado, ao invés de desejar-nos boas vindas fez cara de onde vocês pensam que vão... O cartaz era a cara dela, certamente idéia dela. “ Se não sabes cagar nem mijar, favor não utilizar.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11010870-111583903779674542?l=cronicasbcn.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/feeds/111583903779674542/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11010870&amp;postID=111583903779674542' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/111583903779674542'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/111583903779674542'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/2005/05/quarto-mundo.html' title='Quarto mundo'/><author><name>Sarita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689357093642268873</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11010870.post-111506475658171898</id><published>2005-05-02T13:11:00.000-07:00</published><updated>2005-05-02T13:21:04.090-07:00</updated><title type='text'>Porque me olhas se não me amas? II</title><content type='html'>A partir dos comentários que recebi, acredito que não soube me expressar muito bem na crônica anterior. Concordo com um que diz, em outras palavras, o que diz Garcia Marques em seu último livro, “Memórias de minhas putas tristes”: “O sexo é uma saída para aquele que não encontra o amor”. Mas a questão não era falar de sexo com ou sem amor. Para mim é óbvio que sexo com amor é infinitamente melhor. O que eu pretendia era revelar outra realidade, muito mais comum aqui do que no Brasil. Escrevi sobre as pessoas que não tem idéia do que é amor e passam anos privando seu corpo de prazeres e descobertas porque alguém falou que sexo e amor são sinônimos, sendo que amor muitas vezes é interpretado como um “ sim, você é uma boa menina, de família, vou casar com você”. Essas pessoas podem ser felizes assim, corretas, infelizes ou loucas. Assim como os numero 1 (que não devem ser interpretados como ninfomaníacos ou frívolos, e sim como pessoas que se permitem um pouco mais) podem ser de tudo também.&lt;br /&gt;Eu acredito no amor e acredito no sexo, e acho que em alguns momentos da vida devemos saber diferencia-los para não enlouquecermos.   &lt;br /&gt;Acredito em dualidade. Acredito em números 1, em números 2. Acredito que todos os 1 já pensaram em ser 2, e todos os 2 já pensaram em ser 1. Acredito em escolhas e acredito em imposições.  Acredito em erros e acertos. Em arrependimentos. Acredito em dualidades que se flertam, que se amam, se comem e se contradizem. &lt;br /&gt;Reflexões sobre dualidade:&lt;br /&gt;Dualidade- dualis,  do latim- reunião de duas características distintas em uma mesma pessoa ou coisa. &lt;br /&gt;“É necessário que teu ser se divida, e seja, no mesmo instante, calor e frio, fluido e sólido, livre e submisso, rosas, cera e fogo; matriz e metal de Corinto.” Paul Valery, 1921&lt;br /&gt;“Me contradigo? Pois bem, me contradigo. (Sou imenso. Possuo afluências)” Walt Whitman, 1891-1892.&lt;br /&gt;“Existe em todos os homens, a todas as horas, duas posições simultâneas, uma em direção a Deus, outra a Satã...”  Baudelaire, 1887&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11010870-111506475658171898?l=cronicasbcn.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/feeds/111506475658171898/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11010870&amp;postID=111506475658171898' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/111506475658171898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/111506475658171898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/2005/05/porque-me-olhas-se-no-me-amas-ii.html' title='Porque me olhas se não me amas? II'/><author><name>Sarita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689357093642268873</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11010870.post-111462370338436383</id><published>2005-04-27T10:40:00.000-07:00</published><updated>2005-04-27T10:41:43.386-07:00</updated><title type='text'>Porque me olhas se não me amas?</title><content type='html'>Hoje vou cometer uma heresia: parodiar o mestre Dostoievski. Para mim as duas categorias humanas não são os seres ordinários e os extraordinários e sim  os capazes de separar o sexo do amor ( 1) e  os que só fazem sexo com amor (2). Não quero julgar quem é mais nobre, mais feliz, mais realizado, mais ordinário ou extraordinário, venho apenas constatar que essas categorias existem e numa dualidade semelhante ao sol e a lua, ao bem e o mal. São pólos opostos que podem co-existem de repente, em breves eclipses que só servem para reforçar ainda mais suas diferenças.  &lt;br /&gt;Uma pessoa que só faz sexo com amor tem uma idéia de seu corpo diferente dos que simplesmente podem sentir-se atraído sexualmente por alguém que jamais amou ou amaria. O próprio conceito de amor é diferente. É mais fácil que a categoria 2 o confunda com sexo, já que não enxerga outra definição para o desejo. Quem entende o sexo distante do amor tem a vantagem de saber que sexo é simples, complicado é o amor. Para a categoria 2, tudo entra em um bolo só e o que já era difícil de entender se torna impossível. Mas como os numero 2 são românticos em potencial, e românticos são pessoas que acreditam, o impossível para eles não existe. Podem ser pessoas leves, se encontram outro numero 2 para viver de sonhos, ou pessoas pesadas, se encontram um numero 1 que lhe entregue aos pesadelos. Aqui na Espanha conheci dois exemplos de garotas que só fazem sexo com amor. Uma vive em depressão porque um certo alguém espatifou seus sonhos de amor romântico, e outra vive nas nuvens com seu namorado que também só faz sexo com amor.  Tentei lembrar de um numero 2 brasileiro. Difícil. Quando eu tinha 16 anos sim que tinha algumas amigas, mas hoje em dia todas pularam para a categoria 1. Talvez porque no Brasil não tivemos Franco por vinte anos, que além do controle econômico, político, social e religioso também controlava a vida sexual das pessoas. Sexo só depois de casar, divórcio nem pensar, e o amor, bom, vai depender da sorte de cada um, da loteria que é ser feliz na cama com o primeiro e único. É claro que existe de tudo em todos os lugares, mas grande parte dos espanhóis (pelo menos aqui na Catalunya) são educados ( as mulheres principalmente) nos moldes da tradicional família mineira. &lt;br /&gt;Características básicas para reconhecer pessoas da categoria 2: Não conseguem fazer xixi se estão sendo observadas. Dançam, quando dançam, sem mexer o quadril, de maneira quase robótica. Têm olhos tristes, caso não estejam “ amando”, ou olhos exageradamente felizes, do tipo que incomoda, caso estejam “amando”. Caminham meio corcunda, olhando para baixo, caso não estejam “ amando”, ou totalmente distraídas, do tipo que tropeça no ar, caso estejam “ amando”. &lt;br /&gt;Características básicas para reconhecer pessoas da categoria 1: Não vou me dar ao trabalho de descrever 10 ou 20 estereótipos. Podem ser de muitos tipos, de todos os lugares, podem até ter uma ou outra característica da categoria 2, mas sempre se pode reconhecer nos olhos de um numero 1 que seus desejos não têm compromissos com o amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11010870-111462370338436383?l=cronicasbcn.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/feeds/111462370338436383/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11010870&amp;postID=111462370338436383' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/111462370338436383'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/111462370338436383'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/2005/04/porque-me-olhas-se-no-me-amas.html' title='Porque me olhas se não me amas?'/><author><name>Sarita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689357093642268873</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11010870.post-111446241587251324</id><published>2005-04-25T13:52:00.000-07:00</published><updated>2005-04-25T13:59:14.296-07:00</updated><title type='text'>Edipo linguistico</title><content type='html'>Estava caminhando na rua com minha cara de qualquer lugar do norte ou leste menos daqui, com uma sueca, mais sueca impossível e um andaluz que fumava. Um senhor alto pediu fogo em catalão. O andaluz acendeu seu cigarro e ele agradeceu “ Merci” ( obrigado, em catalão). Eu respondi “ De rés”  ( de nada). Vocês não podem imaginar a felicidade do senhor alto quando ouviu aquele de rés. É lógico que sabia que não éramos daqui e que gente que não é daqui não fala catalão. Logicamente ele também fala espanhol, mas existe um orgulho lingüístico, -cuja lógica não acabo de entender- quase edipiano, que o obriga a  falar sua língua materna. &lt;br /&gt;Um amigo jornalista catalão disse que entende perfeitamente o sorriso do senhor alto. Não há maior satisfação para um catalão do que ouvir um gringo falar sua língua. A culpa é de Franco, mais uma vez. Quando proibiu que se falasse qualquer idioma diferente do espanhol só o que conseguiu foi tornar as línguas malditas ainda mais amadas e idolatradas. E depois da ditadura, claro, voltaram às ruas com toda força. &lt;br /&gt;Transportando esta situação para o Brasil primeiro pensei nos imigrantes italianos e alemães, em Vargas e sua bem sucedida lei de proibição de qualquer idioma diferente do português. Não posso comparar o que ocorreu com um país que já existia e foi incorporado a outro como a Catalunia com imigrantes que foram fazer o favor de colonizar um país como o Brasil. O mais lógico seria comparar, hipoteticamente, com um Lula antipatizante do Rio de Janeiro e que de repente proibisse qualquer pessoa de falar a palavra “meisssmo, ou merrrmo”. Não se ouviria outra coisa nos guetos e depois que Lula deixasse o poder (isso se o próximo presidente não resolvesse prorrogar a idéia, de tão boa) todos receberiam a notícia com um “ é meisssmo?” . E depois de alguns anos, se um carioca ouvisse de um nordestino ou paulista um “ Onde é meisssmo o Arpoador?” certamente responderia com um sorriso infinito, igualzinho ao do senhor alto catalão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11010870-111446241587251324?l=cronicasbcn.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/feeds/111446241587251324/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11010870&amp;postID=111446241587251324' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/111446241587251324'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/111446241587251324'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/2005/04/edipo-linguistico.html' title='Edipo linguistico'/><author><name>Sarita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689357093642268873</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11010870.post-111393080731382983</id><published>2005-04-19T10:12:00.000-07:00</published><updated>2005-04-19T10:29:49.596-07:00</updated><title type='text'>Voce conhece o Richard "Guere"?</title><content type='html'>Sabe aquela sensaçao de vergonha ao falar inglês com alguém que domina a língua mais do que você? Aquele medo de escorregar em alguma pronúncia?  Pois eu já senti e imagino que muitos brasileiros já sentiram. Felizmente ou infelizmente nenhum espanhol, imagino, já sofreu esse tipo de insegurança. O medo do ridículo que acomete os daqui é justo o contrário. Se alguém perguntar. “Ei, você assistiu o último filme do Richard ´Guiar`?” receberá como resposta um “ Ih, onde ele pensa que está…” ou “ Como está este…” Por isso aqui todos falam exatamente como se escreve: Richard "Guére". E assim espanholam tudo que é inglês. A banda U2 para eles é U dos. O whisky Cutty Sark tem o U ibérico. Four Roses é forroses. ( imagina meu desespero para entende-los nos primeiros dias no bar!) E nao é só pelas pronúncias surreais que percebemos a falta de amizade dos espanhóis com o inglês. A porcentagem de pessoas que dominam o idioma britânico é ridícula se comparada a muitos países, inclusive com o Brasil. Muitos só vao a uma escola de ingles se tiverem um trabalho que realmente o exija. E ainda assim continuam falando Richard "Guére". “Vocês no Brasil precisam muito mais porque estao mais perto dos EUA. Aqui nao precisamos”, comentou certa vez um cliente do bar. Nao me surpreende ouvir isso de uma pessoa que passou a vida inteira assistindo filme dublado no cinema e acha maravilhoso, a coisa mais cômoda do mundo. Pergunto: “Nao te incomoda? Acho que perde metade da interpretaçao.” Responde: “ Lógico que nao. Me incomoda se colocam outro ator para fazer a voz do Richard ´Guére`”. Sim, porque cada ator famoso tem seu dublador fixo ( que pode adoecer ou morrer de repente) e alguns viram até celebridades. É o caso do “ voz” do Woody Allen. Este já virou melhor amigo espanhol de infância do ator-diretor e está sempre a seu lado em fotos de jornais e revistas. &lt;br /&gt;A culpa de tudo isso, mais uma vez, é de Franco e seu militarismo exacerbado. No auge da ditaduta promulgou uma lei que proibia a entrada de qualquer filme na Espanha sem que fosse devidamente falado em espanhol. E trocava as falas como melhor lhe apetecesse ou favorecesse seu regime. Anos depois de sua morte, nada mudou e dificilmente mudará. A verdade é que ninguém se importa, pelo contrário, morrem de preguiça de ler legendas. &lt;br /&gt;A traduçao dos títulos dos filmes merece um capítulo a parte. Assim como no Brasil, um simples título pode afastar um bom filme de seu público alvo. Foi o caso de “Eternal Sunshine of the Spotless Mind”, que no Brasil chegou como “ Brilho eterno de uma mente sem lembranças, e aqui se transformou em “ Olvida-te de mi!” ( “Esqueça de mim!”). Imagina um filme com este título protagonizado por Jim Carrey. Enquanto alguns perdiam um ótimo filme, muitos adolescentes e adultos Blockbuster saíam do cinema indignados: “ Porra! O que aconteceu com o Jim Carrey?!?!”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11010870-111393080731382983?l=cronicasbcn.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/feeds/111393080731382983/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11010870&amp;postID=111393080731382983' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/111393080731382983'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/111393080731382983'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/2005/04/voce-conhece-o-richard-guere.html' title='Voce conhece o Richard &quot;Guere&quot;?'/><author><name>Sarita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689357093642268873</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11010870.post-111339895984503223</id><published>2005-04-13T06:28:00.000-07:00</published><updated>2005-06-14T08:59:16.740-07:00</updated><title type='text'>A ßarcelona de verdade</title><content type='html'>Acabavamos de nos conhecer e ele já veio falando que queria me mostrar outra Barcelona, uma Barcelona de verdade. Era intuitivo o basco. Adivinhou minha adoraçao por lugares exóticos, undergrounds e me rebocou uma noite dessas, depois do trabalho- as 6 da manha-, para o Selmos, segundo ele, o melhor bar da cidade.&lt;br /&gt;Ficava na planta baixa de um prédio normal, numa rua normal. Mas a entrada nao era nada normal. Grades e dois seguranças nada simpáticos que só faltavam pedir uma senha. Dez euros para entrar, com direito a consumaçao. Pagamos e entramos. O espaço, de uns 30 metros quadrados, tinha um balcao grande, mesas e um palco em um dos cantos. Decoraçao tosca sem exageros. Música pop espanhola com intervalos de eletronicas e interferências de amadores no karaokê. Uma loira, quase fosoforescente, decorava o palco intimista. Passou boa parte da noite ali, sentada estática em um banco bem alto,  movendo só os olhos, meio Monalisa. Difícil nao mover os olhos num lugar como aquele. No caso dela, em busca de algum cliente fim de noite. No meu caso, em busca de personagens. Todos ali eram personagens em potencial. Desde o garçon de camisa e olhos bordôs, gravata preta e cara de ator pornô aposentado, passando por um Axl Rose aos 60 anos e 40 quilos, por um grupo de jovens moderninhos e por um senhor de 80 anos, libido em alta e olhar baixo para o rebolado do grupo de putas que prestigiavam a amiga no karaokê. Sentamos numa mesa. De um lado, duas mulatas, de outro, um gigante e um anao, ambos com rostos agressivos. Cumprimentei a mulata mais simpática, que dançava uma música e sentava em outra. Descobri que era portuguesa e seguimos falando em espanhol ( é mais fácil entender um portugues assim)  “Onde você trabalha?” perguntou. Respondi no bar tal, de garçonete. Ela olhou desconfiada, disse que nao conhecia o bar e trocou de assunto. Ficamos melhores amigas. Um baixinho, sem dentes, cabelos rarefeitos e olhos pegando fogo nos abordou dançando. Ela virou a cara e cochichou “ Ele é pobre e viado!”  Logo depois ela me interrompeu enquanto eu caminhava até o banheiro. Apresentou-me para dois “amigos” e tentou beijar-me na boca. Desviei o rosto e segui adiante. Era a terceira na fila do banheiro. Na minha frente, uma loira de jeans coladérrimo nos alguns muitos quilinhos a mais. Quando chegou a vez dela, uma chinesa bem mais magra ia posicionar-se atrás de mim na fila. A loira deu meia volta, apertou forte o braço da china e falou “Antes de olhar um homem ve bem quem esta com ele.” E fez um discurso de que era muito mulher, que ninguém podia com ela nem com o homem dela, e nao deixava a china falar. “Posso ir na sua frente enquanto voces discutem”, falei, apertada. “De jeito nenhum. Vou mijar e voce me espera aqui que eu ainda nao acabei”, disse para a china. Ela mijou, eu também, e a discussao nao terminava. A loira sempre falando as mesmas coisas e sem dar chances da china se defender. Sai do banheiro rindo escondido e fui contar a história pro meu amigo basco. Ele também riu e disse que agora era a vez dele ir no banheiro. Levantou e esbarrou num drink que estava sobre nossa mesa. Azar. Era do gigante de rosto agressivo. Mais confusao. Ele nao berrava como a loira, falava mais com os olhos, nada delicados, que o basco deveria pagar a bebida. Detalhe: o drink já estava quase no fim. Meu amigo se revoltou e o bar se dividiu. Metade do lado do gigante, metade do nosso lado. Eu nem lembro como foi dado o veredicto, só lembro que acabou tudo bem e nao precisamos reembolsar os 30 ml de rum do gigante. Meu amigo foi ao banheiro e um apaziguador veio me falar. “ Besteira do cara. Pode curtir aquí com seu marido  que já está tudo resolvido.” Oito da manha. Acenderam as luzes. Todos na rua. O cadeado ansioso para fechar a porta de grade. Os personagens ansiosos por outros personagens, talvez autores. Eu ansiosa para comer e dormir, feliz com minha primeira experiencia na Barcelona de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;imgsrc="http://images2.orkut.com/images1/medium/708/631708.jpg"&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11010870-111339895984503223?l=cronicasbcn.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/feeds/111339895984503223/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11010870&amp;postID=111339895984503223' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/111339895984503223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/111339895984503223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/2005/04/arcelona-de-verdade.html' title='A ßarcelona de verdade'/><author><name>Sarita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689357093642268873</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11010870.post-111282993986864656</id><published>2005-04-06T16:15:00.000-07:00</published><updated>2005-04-06T16:25:39.870-07:00</updated><title type='text'>Turtles Can Fly</title><content type='html'>Acabo de voltar do cinema, em estado de choque. Sei lá, to achando que escrevo muitas tonterias e decidi dedicar uma semana de silêncio.  Vi um filme lindo e forte sobre a guerra do Iraque filmado pelos iraquianos. Foi o vencedor, com toda justiça do mundo, do último festival de San Sebastian, aqui na Espanha. Quando chegar no Brasil, se é que ainda nao chegou, please, nao percam.&lt;br /&gt;Aqui vai algumas informacoes sobre essa obra prima: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Las tortugas también vuelan &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Titulo Original ................... Turtles Can Fly&lt;br /&gt;Año ................................. 2004&lt;br /&gt;Duración .......................... 95 minutos&lt;br /&gt;País ................................ Irán-Iraq&lt;br /&gt;Género ............................ Drama&lt;br /&gt;Fotografía ........................ Shahriar Assadi&lt;br /&gt;Música ............................. Husein Alizadeh&lt;br /&gt;Director ................. Bahman Ghobadi&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Intérpretes&lt;br /&gt;Avaz Latif, Soran Ebrahim, Hirsh Feyssal, Saddam Hossein Feysal, Abdol Rahman Karim &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Los habitantes de un pueblecito del Kurdistán iraquí, en la frontera entre Irán y Turquía, buscan desesperadamente una antena parabólica para conseguir noticias acerca del inminente ataque de Estados Unidos contra Iraq.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Un chico mutilado, que viene de otro pueblo con su hermana y el hijo de ésta, tiene una premonición: la guerra está cada vez más cerca...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11010870-111282993986864656?l=cronicasbcn.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/feeds/111282993986864656/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11010870&amp;postID=111282993986864656' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/111282993986864656'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/111282993986864656'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/2005/04/turtles-can-fly.html' title='Turtles Can Fly'/><author><name>Sarita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689357093642268873</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11010870.post-111228937430886812</id><published>2005-03-31T09:15:00.000-08:00</published><updated>2005-03-31T09:23:17.630-08:00</updated><title type='text'>De tras do balcao- visoes V ou O triunfo do Bebado sem muletas</title><content type='html'>Ele tentou entrar no bar e o porteiro disse nao. Estava limpo e relativamente bem vestido, mas lhe faltava um sapato e algumas boas maneiras. A meia branca já estava negra de tantos desequilibrios. Perdera a muleta por aí, nao lembrava onde, nao lembrava de nada, estava em um nível de embriaguez maior que uma embriaguez. Provavelmente tomara um coquetel de remédios e drogas que desconheço. Ele tentou entrar mais uma vez e o porteiro disse nao. Foi para o outro lado da rua e aí ficou, por uma hora, conversando com alguém que só ele enxergava, jogando para o porteiro palavras que só ele conhecia. E mesmo apoiado na vitrine de uma loja ele se desequilibrava sobre uma muleta imaginária. Dobrava com mais força a perna que tinha sapato para suportar o peso da outra de meias brancas negras, e jogava as costas para tras, num reflexo inconsciente de quem nao tinha mais noçao do peso do próprio corpo. O bar já estava quase vazio e todos riam da cena, comentavam e tentavam imaginar o que o cidadao havia bebido e onde havia perdido suas muletas. Mais uma vez tentou entrar e o porteiro disse nao. Era um porteiro muito paciente, um bom menino. Se fosse outro certamente partiria para a ignorância. E o bebado sem muletas atravessou a rua novamente e posicionou-se em frente a mesma vitrine. Viu passar um senhor vendendo rosas vermelhas e mexeu com ele. Este e o porteiro se entreolharam como quem diz olha o estado do cidadao. O bebado sem muletas insistiu. Mostrou a ele umas moedas. O senhor das flores perguntou se ele queria mesmo compra-la e para quem entregaria. Ele ofereceu as moedas e apontou para o porteiro. Uma rosa vermelha para o porteiro. O bom menino sorriu baixinho e as recebeu sem saber o que fazer com elas. Acabou entregando para uma das garçonetes. O bebado sem muletas nao tentou mais entrar no bar e prosseguiu com seu trajeto em círculos, cambaleando pela rua. O porteiro continuou na porta do bar. Depois admitiu ¨Ele triunfou¨.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11010870-111228937430886812?l=cronicasbcn.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/feeds/111228937430886812/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11010870&amp;postID=111228937430886812' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/111228937430886812'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/111228937430886812'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/2005/03/de-tras-do-balcao-visoes-v-ou-o.html' title='De tras do balcao- visoes V ou O triunfo do Bebado sem muletas'/><author><name>Sarita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689357093642268873</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11010870.post-111202576834564993</id><published>2005-03-28T08:02:00.000-08:00</published><updated>2005-03-28T08:10:05.716-08:00</updated><title type='text'>De trás do balcão- Visões IV</title><content type='html'>Quando era muito jovem, um homem forte, bem dotado e sem rosto, a jogou de surpresa contra o muro de uma rua deserta, a desnudou a força e abusou de sua nudez, de forma instantânea e frenética. Jogada sobre os paralelepípedos e cheia de marcas pelo corpo ela desejou que aquele homem ficasse ali para sempre, para morrer de amor em seus braços. Desde então dedica-se a procurá-lo em todos os homens, e prova muitos só para ter certeza. Ao final sempre diz “Se você conhecer algum tipo grande e forte que violou uma jovem no dia 7 de outubro perto das onze da noite, por favor, diga a ele onde me encontrar.”   &lt;br /&gt; A melhor amiga de uma aniversariante que fez sua festa no bar onde trabalho era este tipo de mulher. Loira e falante, buscava o preenchimento absoluto que encontrou certa vez, quando ainda não entendia muito bem as coisas. Embora acreditasse, e fazia com que os outros acreditassem, que estava feliz, e esta felicidade a transportava flutuante de roda em roda, apenas pela melhor amiga. Porque uma melhor amiga sempre acaba dando uma de hostess na festa da outra. E eis que eu entro na história. Elas souberam que uma brasileira trabalhava ali e pediram que eu fizesse caipirinhas legítimas (com caninha 51, uma boa idéia). Foi um sucesso. A melhor amiga foi quem mais bebeu, acho que umas quatro. Nunca esqueço de seu rosto me pedindo a bebida como se dissesse “Se você conhecer algum tipo grande e forte que violou uma no dia 7 de outubro perto das onze da noite, por favor, diga a ele onde me encontrar.” Era como se eu respondesse, a cada caipirinha que entregava, que sim que o conheço. E ela ia ficando cada vez mais preenchida, mais feliz e com as bochechas mais rosadas. Não sei como foi a ressaca dessa ilusão toda, mas acredito que esse homem forte e bem dotado tenha um rosto bem brasileiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11010870-111202576834564993?l=cronicasbcn.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/feeds/111202576834564993/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11010870&amp;postID=111202576834564993' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/111202576834564993'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/111202576834564993'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/2005/03/de-trs-do-balco-vises-iv.html' title='De trás do balcão- Visões IV'/><author><name>Sarita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689357093642268873</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11010870.post-111134209846919581</id><published>2005-03-20T10:07:00.000-08:00</published><updated>2005-03-20T10:08:18.473-08:00</updated><title type='text'>Foi de táxi... quem sabe</title><content type='html'>Estou ansiosa para falar da cena que acabo de ver. Um táxi parado na esquina do meu prédio e um beijo estilo Casablanca com língua do taxista na passageira sentada no banco da frente. Fiquei nervosa. Primeiro, porque nunca vi, segundo, porque muito ouvi- histórias de passageiras que se envolvem com taxistas- e terceiro, porque esta é uma das profissões que mais me interessa em termos antropológicos. Explicações possíveis para a cena. Eles não eram um casal pré-formado, casados ou namorados, porque senão ele diria desce logo que tenho que trabalhar. Acredito que ela era uma cliente que sempre o chama, e desde sempre, ou uma vez, meio que por acaso ou carência, descobriu que ele era atraente ou ele falou alguma coisa que o deixou atraente, ou muitas coisas até que de repente o beijo, e outros e outros beijos, e a hora da despedida é a mais triste mas não deixa de ser com um beijo. E pode ser que depois do beijo outras cositas mais, num hotel, na casa dela enquanto o marido viajava, ou na casa dele enquanto a mulher trabalhava. Ou nem um nem outro é casado e um romance começou ou está para começar. Se fosse no Rio de Janeiro eu chegaria a pensar na possibilidade de ela ter se dado conta de que não levava dinheiro e disse assustada “ e agora?” e ele respondeu “agora vem aqui que te mostro como pagar essa conta” e ela era tão neurótica ou tão tarada que não pensou em não ir. E depois do primeiro beijo tiveram outros, o seguinte sempre melhor que o anterior, até que o celular de um dos dois tocou anunciando a despedida Casablanca com língua.  &lt;br /&gt;Bom, essa história toda na verdade é só uma introdução porque eu já estava há tempos com vontade de escrever sobre os taxistas de Barcelona. &lt;br /&gt;Já reparei que os espanhóis de uma maneira geral não tem muita vocação para o trabalho- dizem que na Catalunia não é assim, então imagina só como é o resto do pais- e com os taxistas não é diferente. Nunca vi outro lugar no mundo com taxistas tão pouco ambiciosos, para não dizer preguiçosos.  Em primeiro lugar, é praticamente impossível ficar parado na rua esperando um táxi passar com a luz verde acesa. Dependendo da rua e da hora pode tardar mais de uma hora. E depois, táxi com luz verde acesa não significa, como deveria significar, que está disponível e que ele vai parar e você vai entrar. Se o taxista simplesmente não for com a sua cara ele não vai parar. Se ele estiver indo para casa almoçar ou jantar ele pode não parar, ou vai perguntar para onde você quer ir e só vai te aceitar se o seu trajeto não o fizer desviar uma rua sequer do dele. Se você estiver carregando alguma mala, por menor que seja, é bem possível que ele também não pare. A solução muitas vezes é chamar por telefone. Geralmente chegam rápido mas com 3 euros a mais no taxímetro. E não espere mais nada deles, nem simpatia, nem conversas divertidas, nem sessões de análise. É claro que sempre existem exceções. A nossa amiga do beijo Casablanca com língua que o diga.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11010870-111134209846919581?l=cronicasbcn.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/feeds/111134209846919581/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11010870&amp;postID=111134209846919581' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/111134209846919581'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/111134209846919581'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/2005/03/foi-de-txi-quem-sabe.html' title='Foi de táxi... quem sabe'/><author><name>Sarita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689357093642268873</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11010870.post-111100083780366520</id><published>2005-03-16T11:20:00.000-08:00</published><updated>2005-03-16T11:41:06.096-08:00</updated><title type='text'>Sinceridade demais...</title><content type='html'>As vezes atrapalha. E tanto que me deixou toda atrapalhada. Foi uma tonteria ( palavra muito usada por aqui, quer dizer “uma besteira, coisa de gente tonta”), mas sabe aquelas tonterias que nos fazem pensar, que nos deixam com raiva, mas muita raiva de nós mesmos, um pequeno deslize que te remete a tantos e tantos outros e então você diz “ putaqueopariu, eu sou muito burra, não aprendo nunca!” &lt;br /&gt;Estou trabalhando em um bar, como já contei aqui. Certa noite uma cliente muito simpática veio me perguntar se eu também trabalhava como azafata. Parênteses para explicar essa palavra que me provoca risos. Tem algumas palavras em espanhol que considero muito engraçadas: azafata, sencillo, a própria tonteria, cachonda... Bom, azafatas são aquelas meninas que trabalham em eventos, congressos, feiras, até aeromoça é azafata, “azafata de vuelo”. Fecha parênteses. Respondi que sim, talvez, de repente... Ela estava buscando meninas para trabalhar no Salão do Automóvel, 10 dias, 10 horas por dia sorrindo para aficionados por carros, 100 euros por dia. Total, mil euros. Ai eu respondi com mais ênfase que sim e dei a ela meu telefone. Na semana seguinte me ligaram da agencia e eu não atendi. Fiquei enrolando pra responder e só retornei na outra semana. Disseram para eu ir lá o quanto antes, as nove da manhã, porque só faltavam mais dois clientes. Cheguei ao meio-dia. A agencia estava lotada de meninas para uma seleção. Deram uma ficha para eu preencher e pediram que esperasse. Fiquei sentada preenchendo tudo bem lentamente, olhando pros lados  e analisando o nível das minhas “concorrentes”. Logo entrei numa viagem egóica. Achei que meu nível físico (incluo a maneira de se vestir, maquiar, pentear ) e intelectual não correspondia àquele ambiente. Só estava ali porque era Espanha, euros, ninguém me conhece. E se meu nível era superior ao daquelas meninas era lógico que o cliente iria gostar de mim e ficaria muito feliz de me conhecer, afinal, eu era muito mais do ele que esperava. Me perdi nessa viagem egóica e quando vi já estava dentro de uma sala, cara a cara com a cliente e a diretora da agencia. Meu rosto estava exageradamente relaxado para uma entrevista de trabalho, recém havia saído de uma gripe de cinco dias e de uma viagem egóica de vinte minutos. Não estava muito preocupada, pensava que no máximo eu teria de dar uma voltinha. Mas não. Começaram a perguntar sobre minha experiência como azafata, meus estudos... Falei que fui azafata em alguns eventos no Rio, onde na verdade trabalhei como jornalista. Depois a cliente perguntou se eu gostava de carros.  Eu não entendo nada, não tenho o mínimo tesão em carros e fui tão natural e sincera, como se aquilo fosse uma conversação informal, que acabei falando do sistema de transporte público de Barcelona, que era tão bom que não sentia a necessidade de ter um carro. A diretora da agencia interrompeu meu discurso “Acho que ela não entendeu sua pergunta” Ai que me dei conta que não estava no sofá de casa. “Ah, se eu gosto de carros, assim, se gosto? Ah, gosto, não sou de comprar aquelas revistas, mas gosto...” , falei, sem credibilidade nenhuma. “Ah, ta bom, era só para te conhecer melhor. Qualquer coisa a gente entra em contato”, disse a cliente. Fui embora certa de que ela não me chamaria. E não chamou. Depois fiquei o dia todo pensando na minha ingenuidade, na mania de subestimar as coisas e na burrice de achar que sou inteligente demais para determinados papéis.  Sei que me livrei dos 10 dias mais chatos da minha  vida, mas também me livrei de mil euros. E não é fácil para quem vem de um pais de terceiro mundo arrancar mil euros dos espanhóis.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11010870-111100083780366520?l=cronicasbcn.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/feeds/111100083780366520/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11010870&amp;postID=111100083780366520' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/111100083780366520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/111100083780366520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/2005/03/sinceridade-demais.html' title='Sinceridade demais...'/><author><name>Sarita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689357093642268873</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11010870.post-111090157176172759</id><published>2005-03-15T07:43:00.000-08:00</published><updated>2005-03-15T07:46:11.763-08:00</updated><title type='text'>Sexo antropologico</title><content type='html'>Esses dias o jornal El Pais trouxe um artigo dizendo, a grosso modo, que relacionar-se sexualmente com pessoas de outros países é uma forma de aprender novas culturas. Realizaram uma pesquisa para ver o que os europeus acham do assunto e para a minha nao surpresa os espanhóis nao gostam muito dessa coisa de sexo antropológico. Mais da metade prefere relacionar-se com pessoas de seu próprio país, de preferência de sua própria própria província. Se for vizinho, melhor ainda. Acho que tem a ver com o nacionalismo exacerbado e a veia propícia ao comodismo que vejo por aqui. E para minha outra nao surpresa, o país que está mais em moda na europa quando o assunto é sexo-intercultural é o Brasil. Depois de olhar para os próprios umbigos, é dos umbigos dos brasileiros que eles gostam mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11010870-111090157176172759?l=cronicasbcn.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/feeds/111090157176172759/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11010870&amp;postID=111090157176172759' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/111090157176172759'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/111090157176172759'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/2005/03/sexo-antropologico.html' title='Sexo antropologico'/><author><name>Sarita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689357093642268873</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11010870.post-111039559761140451</id><published>2005-03-09T11:12:00.000-08:00</published><updated>2005-03-09T11:13:17.613-08:00</updated><title type='text'>To be here, to be free...</title><content type='html'>Estava no metrô voltando da yoga e lendo ¨Juguete Rabioso¨, de Robert Arlt, justo na parte em que o personagem conhece um travesti. Nao imagino situaçao mais zen-concentrada que esta. Se alguém viesse me perguntar as horas provavelmente eu fingiria que nao estava escutando, ou nao escutaria mesmo, e se fosse um pouco mais desatenta seria capaz de só me dar conta que perdera minha parada três estaçoes depois. Pois eis que entra um cara com um violao cantando uma música em inglês e se nao tivesse acabado de fazer yoga eu diria putaqueopariu. Mas eu estava tranquila, amando meu corpo, amando a vida, amando Robert Arlt, amando o próximo e resolvi parar de ler para ver quem era o próximo que eu deveria amar. Talvez fosse ingles, irlandes ou francês, nao sei ao certo. Parecia um estudante de sociologia: cabelos lisos, compridos e cinzas, roupas largas, óculos sobre o nariz afinalado, rosto anguloso, boca com pouquíssima carne e olhar anti-social. Cantava com alma, mas percebi que seu corpo nao queria estar ali. Descarregava toda a tensao do corpo que preferia estar cantando sozinho em casa no maxilar. Abria a boca ao máximo, como se estivesse prestes a espirrar ou como se levasse um susto, sempre que cantava uma vogal aberta. E suavizava a expressao com o refrao ¨To be here, to be free…¨,  tentando dizer que estava aqui para ser livre, ou sentia-se livre aqui, ou qualquer outra coisa diferente da leitura que fiz do corpo que preferia estar cantando em qualquer outro lugar que nao fosse aquele trem onde ninguém lhe deu nem atençao nem gorjeta. ¨To be here, to be free…¨ Posso ter feito uma leitura errada de seu corpo. Ou para ser livre é preciso abrir mao dos desejos do corpo. Ou tantas outras coisas. Deixei o Arlt para depois e fiquei pensando nisso do to be here, to be free, no preço da minha liberdade… Enfim, assunto para outro dia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11010870-111039559761140451?l=cronicasbcn.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/feeds/111039559761140451/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11010870&amp;postID=111039559761140451' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/111039559761140451'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/111039559761140451'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/2005/03/to-be-here-to-be-free.html' title='To be here, to be free...'/><author><name>Sarita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689357093642268873</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11010870.post-111022019202383181</id><published>2005-03-07T10:21:00.001-08:00</published><updated>2005-03-07T10:40:33.410-08:00</updated><title type='text'>De trás do balcao- visoes III</title><content type='html'>Penumbra. Ela chora confortável em posicao fetal. " É melhor ser alegre que ser triste, a alegria é a melhor coisa que existe..." Disfruta da cançao e chora. Essa noite vai ser assim. Está feliz assim.&lt;br /&gt;Ele desliga o celular e entra em seu Audi. Acaba de falar com um que falou com outro que entrou em seu Golf. É sábado a noite e nao se pode ficar em casa num sábado a noite. Encontram-se no bar onde trabalho. Posicionam-se estrategicamente em frente ao balcao. Pedem um drink cada e conversam pausadamente, como se estivessem numa reuniao de trabalho (de uma empresa comportada). As pessoas começam a falar mais alto, a dançar. Eles mantem o tom da conversa. Olham para o lado, para uma mulher que tenta imitar Michael Jackson e no máximo parece um Michael Jackson robô da Estrela sem pilha manuseado por um garoto de cinco anos que nao sabe quem é Michael Jackson e seu pai prefere que nem saiba, e nao sorriem da cena. Se olham como se ela tivesse bebido demais, mas eles bebiam muito mais. Talvez ela tentasse livrar-se de algo ou quisesse expressar qualquer coisa com aquela dança engraçada. E eles nao entendem, ou preferem nao expressar-se, ou nao têm nada  para livrar-se, ou nao têm consciência, ou sensibilidade. Vai saber. Depois de 3 ou 4 drinks cada foram embora do mesmo jeito que chegaram. Dever cumprido. Sairam de casa num sábado a noite. Mais uma noite foi assim. Estao felizes assim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11010870-111022019202383181?l=cronicasbcn.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/feeds/111022019202383181/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11010870&amp;postID=111022019202383181' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/111022019202383181'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/111022019202383181'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/2005/03/de-trs-do-balcao-visoes-iii_07.html' title='De trás do balcao- visoes III'/><author><name>Sarita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689357093642268873</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11010870.post-110987031868546809</id><published>2005-03-03T18:17:00.000-08:00</published><updated>2005-03-03T09:21:35.423-08:00</updated><title type='text'>De trás do balcão- Visões II</title><content type='html'>Ela disse não vá. Ele foi. Depois ela disse vá. Ele não foi. Ficou parado como um nada em lugar nenhum. Só nadas vivem em lugar nenhum. E o lugar nenhum não espera nada dos nadas. Nada de concreto porque o lugar nenhum não pensa abstrato. E este nada que não foi quando ela disse vá conheceu outra nada que não foi quando seu ele disse vá. Já tinham lá seus 50 anos. Pensaram abstrato e isso é inconcebível para o lugar nenhum. Foram expulsos. Inventaram um lugar só deles e ali conheceram o amor como nunca antes, nas idas e voltas das relações precedentes. Agora viviam em um lugar com tudo. Mas o mundo do abstrato não sobrevive sem coisas concretas e isso pode ser fatal para quem acredita ter tudo. Foram ao bar onde trabalho. Portavam-se como os adolescentes de Endless Love. Ele não bebe e ela bebeu dois gin tonics. Ele queria descer para  dançar e ela não. Ficaram parados na escada. Os corpos bem próximos, as mãos bem dadas, os olhos que pareciam tocar-se mesmo a um palmo de distancia. Talvez ele dizia vem que te ensino a dançar e ela respondia não antes que você experimente um gin tonic. Talvez ele dizia vamos, vai ser divertido, e ela pensava, sem ter coragem de dizer, que mais divertido seria irmos para sua casa agora.  Depois de meia hora parados na escada, antes que ele dissesse vá e ela não fosse ou que ela dissesse vá e ele não fosse, resolveram ir embora juntos, talvez porque reconheceram que o amor é abstrato demais para discussões tão concretas. E se permanecessem ali um minuto mais poderiam voltar a ser nada em lugar nenhum.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11010870-110987031868546809?l=cronicasbcn.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/feeds/110987031868546809/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11010870&amp;postID=110987031868546809' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/110987031868546809'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/110987031868546809'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/2005/03/de-trs-do-balco-vises-ii.html' title='De trás do balcão- Visões II'/><author><name>Sarita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689357093642268873</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11010870.post-110959906694357816</id><published>2005-02-28T05:57:00.000-08:00</published><updated>2005-02-28T06:04:15.366-08:00</updated><title type='text'>De trás do balcão- Visões I</title><content type='html'>Há mais de um mês trabalho em um bar às quintas, sextas e sábados pela noite. Fico atrás do balcão servindo álcool com refrigerante- Ballantines-cola, JB-laranja, Absolut-limon, Gin tonic e outras misturas- a espanhóis classe media alta, média de idade entre 30 e 45 anos. Tem um lado divertido: conhecer gente e observar gente que não conheço, sempre protegida e praticamente imunizada pelo balcão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Era a mistura de Clint Eastwood com Carlos Menen e me olhava como se eu fosse a filha do proprietário de um bar no velho oeste, que tivesse passado por ali de repente para ver como estavam as coisas, para ajudar um pouco, sem compromisso, e que se de repente oferecesse a meu pai um bom par de armas ou uma vida mais digna, ele poderia me levar dali aquela noite mesmo, e me carregaria orgulhoso como se minha foto estivesse num desses cartazes de Procura-se pregado por ele mesmo, e me daria uma vida como ele supõe ser a vida para uma mulher, como Menen supôs dar mais vida a uma vida de miss que se acabava. &lt;br /&gt;Estava bebendo com um espanhol típico, moreno, quase calvo, baixinho, de olhos arredondados e dentes expressivos, para não dizer mal cuidados. Se insultavam mutuamente e a todo instante me chamavam para apartar a briga- que só existia no plano da comédia- ou para saber minha opinião sobre qualquer assunto onde seguramente o que menos importava para eles era minha opinião. E enquanto o baixinho- que pensando melhor lembra aquele garoto-propaganda da Kaiser- estava mais preocupado em beber e discutir, o Clint Menen ia mudando os enredos a medida que bebia. O olhar estava mais baixo ( na altura e no nível emocional) e nem Jece Vadalão seria capaz de reproduzi-lo. Eu já não era mais a filha do dono do bar. Agora eu nem tinha mais pai, não tinha história, estava trabalhando ali porque sim, e tudo porque sim ou porque não, sem detalhes nem espaço para dúvidas. A única coisa que queria era ir embora comigo daquele bar, para fazer coisas que certamente o álcool não deixaria.   Não me levaria no colo como uma plebéia western, tampouco de forma elegante, mãos dadas e pose de alta sociedade argentina. Me mandaria ir caminhando um pouco na frente para ter tempo de olhar para trás, morder o filtro do Marlboro repousado no lado esquerdo da boca e piscar com o olho esquerdo, depois de duas tentativas sem sucesso com o direito, despedindo-se em paz de seu amigo da Kaiser.&lt;br /&gt;   E quando acenderam as luzes do bar eu permaneci atrás do balcão e ele partiu com o amigo, sem antes parar estrategicamente na porta, virar para trás e mandar-me um beijo com a mão direita e  uma piscadela com o olho direito, depois de duas tentativa sem sucesso com o esquerdo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11010870-110959906694357816?l=cronicasbcn.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/feeds/110959906694357816/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11010870&amp;postID=110959906694357816' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/110959906694357816'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/110959906694357816'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/2005/02/de-trs-do-balco-vises-i.html' title='De trás do balcão- Visões I'/><author><name>Sarita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689357093642268873</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-11010870.post-110959901727113429</id><published>2005-02-28T05:54:00.000-08:00</published><updated>2005-02-28T06:01:19.316-08:00</updated><title type='text'>Mudança</title><content type='html'>Hola!&lt;br /&gt;Em virtude de problemas técnicos com a uol estou transferindo minhas crônicas para este endereço.&lt;br /&gt;Quem quiser ler os escritos antigos pode acessar www.cronicasbcn.zip.net&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/11010870-110959901727113429?l=cronicasbcn.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/feeds/110959901727113429/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=11010870&amp;postID=110959901727113429' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/110959901727113429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/11010870/posts/default/110959901727113429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicasbcn.blogspot.com/2005/02/mudana.html' title='Mudança'/><author><name>Sarita</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02689357093642268873</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
